segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Terapia Cognitiva Comportamental - TCC

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Terapia Cognitiva Comportamental - TCC 



TCC é um tipo de psicoterapia. É diferente de outros tipos de psicoterapia que envolvem falar livremente ou debruçar sobre os eventos em seu passado, para obter compreensões sobre o seu estado emocional ou como lidou com eventos no passado. Apenas por descobrir que há 20 anos atrás houve um acontecimento negativo, a partir do qual começou a pensar de forma mais irracional ("Ex: Não presto, tenho pouco valor, as pessoas não gostam de mim"), provavelmente não vai mudar a forma de pensar e sentir no presente, ou obter um efeito "terapêutico" por isso, como defendem outros tipos de terapia. Se eu descobrir que comecei a engordar há anos atrás, não me vou tornar mais magro por isso.
A TCC não é terapia do género "deitar no divã e dizer tudo o que lhe vem na mente". A TCC tende a lidar com o aqui e agora - como os seus pensamentos e comportamentos atuais o estão a afectar agora. Ela reconhece que os acontecimentos no seu passado moldaram a maneira como atualmente pensa, sente e se comporta. Podemos ir ao passado e compreender como podemos criar crenças erradas a partir de acontecimentos passados, utilizando padrões de pensamento e comportamentos aprendidos na infância (“Se um amigo na escola me humilhou é porque eu não presto”) e modificar estas ideias para serem úteis no presente. No entanto, a CBT não está centrada sobre o passado, pois o que passou não se altera e é inútil remoer acontecimentos negativos, mas visa encontrar soluções de como mudar seus pensamentos e comportamento atuais, para que possa funcionar melhor, agora e no futuro.
A TCC não é a utlização de estratégias e técnicas isoladas e mecânicas, como aparentemente poderia parecer. Depois de uma conceituação de caso, que é uma compreensão da história do cliente e de como este aprendeu e desenvolveu os padrões de pensamento que poderão ser "ilógicos" ou "irracionais" no presente, há uma orientação para o seguimento da terapia. A conceituação de caso é feita de um modo colaborante entre psicólogo- cliente, onde ambos "descobrem" e deduzem eventuais padrões ou formas habituais de pensar que estão na origem dos problemas psicológicos actuais. Por exemplo, se o indivíduo a partir de um conjunto de situações sociais negativas onde foi ridicularizado, poderá ter desenvolvido crenças sobre si próprio ("Ex: Não presto, sou inapto, sou incompetente") e algumas atitudes e regras em relação ao mundo ("Se me proteger e evitar as pessoas, não vou sofrer; se for exposto em público vou ser gozado").
Por isso é necessário ter um grande conjunto de competências terapêuticas necessárias para garantir que a terapia funcione de um modo coerente e articulado, onde esta faz sentido para o cliente. É importante estabelecer uma boa relação de trabalho com o paciente. Cliente e terapeuta trabalham como uma equipa para avaliar as crenças irracionais, testando-as para verificar se estão corretas ou não e modificando-as de acordo com princípios lógicos, razoáveis, realistas, funcionais e "equilibrados". O terapeuta usa um conjunto de questões técnicas e exercícios como um meio de guiar o paciente num questionamento consciente que permitirá que este tenha uma compreensão sobre seu pensamento distorcido. Valorizo muito o chamado "caderno de terapia", onde o cliente vai juntando num dossier o seu percurso de aprendizagens e ganhos na terapia, bem como todos os seus registos do que escreveu na consulta com os resultados dos exercícios e as novas habilidades e ideias construtivas que vai descobrindo para que possa ler em casa ou sempre que desejar e precisar. A memória é poderosa para apagar pensamentos construtivos, especialmente após um período intenso de ansiedade e/ou depressão, daí o "caderno" como forma de minimizar o esquecimento daquilo que interessa pensar e fazer!


Ao longo do tratamento, utiliza-se uma abordagem colaborante e psicoeducativa, com experiências específicas de aprendizagem desenhadas com o intuito de ensinar os pacientes a: 

1) Dar-se conta dos padrões de pensamento e identificar pensamentos automáticos; 

2) Reconhecer as relações entre pensamento, emoção e comportamento; 
 
3) Testar a validade de pensamentos automáticos e crenças centrais, regras e pressupostos; 
 
4) Corrigir interpretações e entendimentos irracionais de si e do mundo, substituindo pensamentos distorcidos por ideias mais realistas e que funcionem; 

5) Identificar e alterar crenças, pressupostos ou esquemas que estão na origem de padrões disfuncionais de pensamento.

Existem literalmente milhares  de técnicas diferentes para serem usadas: é espantoso o desenvolvimento das terapias cognitivas nos últimos anos e não páro de ficar espantado com os desenvolvimentos actuais.
 Estas técnicas a serem aplicadas variam de acordo com perfil de pensamentos do cliente, do tipo de problema psicológico, da fase da terapia e da conceitualização cognitiva específica de um determinado caso.
As técnicas comportamentais são mais usadas em casos de depressão grave onde existe uma necessidade de promover mudanças de comportamento do paciente. Ao fazer pequenas mudanças no comportamento, como falar com amigos ou pequenos passeios, melhora mais rapidamente o estado de ânimo, dá-se conta de como eram irracionais os pensamentos que o faziam estar em casa e motivam a continuar a agir e a mudar a maneira de pensar. Noutros casos, quando não é necessário uma ativação do comportamento, técnicas mais dirigidas à mudança do pensamento podem ser aplicadas. Para os transtornos de ansiedade, uma compreensão dos princípios fundamentais do modelo cognitivo será provavelmente necessário antes de qualquer exercício comportamental. Esta fase é habitual nas primeiras consultas.

Uma série de técnicas cognitivas é usada em TCC, como identificação, questionamento e correção de pensamentos automáticos, avaliação de pressupostos e regras, avaliação e gestão das preocupações, correção de erros de lógica, aprender a colocar os acontecimentos em perspectiva, técnicas de gestão e processamento de emoções, ensaio cognitivo e outros procedimentos de treino de imagens mentais positivas.


Eva Strum - strumeva@gmail.com

Fonte: Terapia Cognitiva Comportamental - Emergência Psicológica 

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